Hoje eu estava procurando na minha caixa do Gmail um e-mail que mandei pra mim mesma há alguns meses, com um link importante (uma das maiores correspondentes de e-mails minha sou eu mesma). Na procura, sem querer cliquei em “mensagens mais antigas” e meu Gmail foi lá pra última página, com mensagens de 2005. Eu, que adoro uma sessão nostalgia, comecei a abrir alguns. 2006, 2007... Fui olhando os remetentes, os assuntos, li algumas conversas, lembrei de alguns episódios. Coisas que eu achava que eram importantes, que eram decisivas, que eram eternas. Passou. Graduação, iniciação científica, amigos da van (“indas” e vindas, como o pessoal falava), começo de namoro, crises-comigo-mesma de começo de namoro. Tudo passou.
Aí lembrei dessa música. Como eu gosto dela hoje!
A Lista – Oswaldo Montenegro
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Há 10 anos eu torcia o nariz pra MPB. Hoje adoro! Oswaldo Montenegro, Ney Matogrosso, Toquinho, Chico Buarque, Zizi Possi, Maria Rita... e, claro, Roberto (ah... o rei!) Nova Brasil FM é a minha praia! (rss) As (poucas) músicas que eu gostava há 10 anos continuo gostando (poucas porque eu era “crítica” – pra não dizer chata – demais: meu bom e velho rock – nacional e internacional, Legião Urbana, e meus amados de sempre Roupa Nova). Hoje sou menos “crítica”, menos chata, mais tolerável, e reconheci que a Britney tem seu lado foda, que sempre amarei o bom sertanejo dos anos 90, que tenho saudades de dançar É o Tchan, que é gostoso cantar pagode e que MPB é pura poesia musicada. Lindo!
Mas queria ressaltar o fato de que as músicas que eu gostava há 10 anos eu ainda gosto. Isso quer dizer que não neguei, não apaguei, mas agreguei novos gostos e estilos. Será que isso é assim só com música? Será que a adolescente de 10 anos atrás ainda vive dentro de mim de alguma forma? Será que ela agregou alguns valores e algumas ideias, modificou algumas outras ou será que simplesmente morreu e nasceu outra no lugar?
É inegável o fato de que há 10 anos (às vezes nem é preciso ir tão longe, 5 anos, como nos e-mails que encontrei sem querer hoje) tudo era bem diferente. Inegável que eu pensava, falava, escrevia, agia e reagia de maneiras diferentes às de hoje. O tempo nos esculpe. E, além de tudo novo que agreguei, as coisas que ainda continuam vivendo dentro de mim são as que valiam a pena. A minha lista de grandes amigos que eu mais via há 10 anos atrás perdeu muitos membros, alguns, sim, que fazem falta, mas a maioria, que não, nem um pouco, e que somem completamente perto dos que ainda tenho certo contato, que são aqueles que valiam a pena.
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Não, nem de longe imaginei que seria quem sou hoje, que estaria onde estou hoje. Mas gosto do resultado que vejo. Sou a foto passada dentro do espelho de agora. Combino tudo o que já pensei, sonhei, acreditei com o que penso, sonho e acredito hoje. Passou a síndrome de Peter Pan de 5 anos atrás, aceitei que cresci e que estou crescendo – e envelhecendo – a cada dia. No dia do meu último aniversário, fui passar sombra pra sair e percebi, pela primeira vez, um micro-pézinho de galinha na pálpebra. E me vi feliz na semana passada porque descobri um excelente produto pra lavar o box do banheiro. É claro que tenho saudades da adolescente de oitava série com a camiseta do Legião, e também da jovem estudante de Letras que sobrevivia com R$300,00 de bolsa pesquisa... mas elas não morreram. De certa forma, vivem e sempre viverão aqui dentro. Porque, cada vez que eu ouvir Aerosmith, minha alma vai ser transportada por outro lugar, como quando eu ouvia trancada no quarto com o som bem alto. E é por isso que, dentro de alguns meses, caminharei ao som de “I don’t want to miss a thing” no corredor de uma igreja, braços dados com meu pai, a caminho do meu futuro marido.
Mas não uso mais all-star.